12 janeiro 2013

Nunca comprometer a verdade.


[Qualquer pessoa pode] perguntar-se se todas as análises económicas existentes a nível mundial servem realmente para alguma coisa. Então não está completamente fora de questão, como matéria política, um programa de recuperação como aquele que acabei de descrever mais atrás? E defender um tal programa não será um desperdício de tempo?
A minha resposta  a estas duas perguntas é: não necessariamente e decididamente que não. As hipóteses de uma verdadeira viragem nas medidas económicas adotadas, virando costas à mania da austeridade dos últimos anos e rumando em direção a uma renovada atenção quanto à criação de emprego, são muito mais válidas do que a sabedoria convencional nos quer fazer acreditar. E a recente experiência também nos ensina uma lição política crucial: é muito melhor defendermos aquilo em que acreditamos, e apresentar as razões para aquilo que realmente deveria ser feito, do que tentar parecer moderado e razoável aceitando essencialmente os argumentos do oponente. Tentar o compromisso, sim, se for necessário, sobre as políticas a adotar - mas nunca comprometer a verdade.

Paul Krugman, Acabem com esta crise, tr. Alberto Gomes, Presença, 2012, p. 233, 234.

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«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein