04 março 2010

Contra-argumentar perante o Relativismo Moral

Resposta de Fátima Costa 10º 1C a uma questão de aula:
O argumento [em defesa do Relativismo cultural conhecido como «Argumento da diversidade cultural»] é inválido, porque a conclusão não se segue das premissas, ou seja, da observação de que existe desacordo cultural em assuntos morais não se pode concluir que as verdades morais são relativas a cada cultura pois, mesmo que exista um desacordo cultural profundo em questões morais, é possível que existam verdades absolutas ou objectivas na moralidade. Podemos mesmo afirmar que existem regras morais presentes em todas as sociedades (a proibição de mentir ou de matar, por exemplo), o que mostra que existem regras morais universais e não apenas relativas a cada cultura.

2 comentários:

Teresa disse...

A resposta está clara e bem escrita.
Mas do facto de existirem regras morais em todas as sociedades não implica que: (i) que todas as regras morais sejam universais, nem (ii) que não sejam relativas a uma cultura. Pode dar-se o caso de que, por exemplo, "mentir é errado" seja uma regra moral vigente *relativamente a* praticamente todas, ou todas as culturas. Outras regras morais podem ser vigentes relativamente a menos culturas. Nesse caso continuaria a ser compatível com existirem regras morais em todas as culturas, e existirem algumas regras morais vigentes em todas as culturas, que
as regras morais são relativas a culturas específicas.

Rui Areal disse...

Obviamente que a existência de regras morais em todas as culturas pode ser uma coincidência. Mas também pode não ser. Mas a constatação desse facto destrói a relação entre a premissa e a conclusão do argumento da «diversidade cultural», isto é, da diversidade não se pode concluir a relatividade. Pelo contrário, é mais fácil acreditar que por detrás da proibição (universal) da mentira ou do roubo esteja algo de fundamental e essencial à moralidade humana.

filosofiareal

«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein