04 março 2010

Comentário de Fátima Costa a texto de Luc Ferry

Com efeito, na sua forma clássica, o determinismo defende que todo o efeito possui uma causa situada na natureza. Esta causa é, ela mesma, necessariamente o efeito de uma outra causa também presente na natureza que, consequentemente, é por sua vez efeito de outra causa e assim sucessivamente…
Isto tem como consequência que o determinismo seja, como ideia, insustentável: ou detém a cadeia das causalidades, como Leibniz faz ao propor uma causa primeira (Deus, a Natureza, a História ou qualquer outra coisa que queiram), mas, no exacto momento em que finalmente se quer fundar o determinismo, está-se a negá-lo porquanto esta causa primeira, não tendo causa, infringe-o logo que é proposta (dado que o determinismo, ao afirmar que toda a causa tem uma causa, é obrigado a rejeitar a ideia de uma causa inicial); ou deixa-se aberta a regressão até ao infinito, o que significa que o efeito nunca é determinado nem explicado, dado que não é possível considerar que uma explicação que se perde no infinito seja uma verdadeira explicação.
Luc Ferry, O que é o Homem, Edições Asa, pp. 75, 76.

Comentário de Fátima Catarina Gomes da Costa, 10º1C:

Neste texto de Luc Ferry intitulado “O que é o Homem”, fala-se sobre o Problema do Livre - Arbítrio. Este texto leva-nos a questionarmo-nos sobre se o determinismo é uma ideia sustentável. Segundo o autor o determinismo é uma ideia insustentável pois, sendo o determinismo uma cadeia de causalidades, infringe-se a si próprio, porque no momento em que se quer estabelecer um início para todas as causas estamos a negar o determinismo pois, esse início, não teve uma causa. Para além disso, se abrirmos a regressão até ao infinito significa que um efeito nunca é determinado, o que não é uma boa explicação. Contudo, existem alguns filósofos, como por exemplo Espinosa, que defendem o determinismo pois acham que não temos livre-arbítrio e que as nossas escolhas têm causas exteriores que tiveram início antes de nascermos. Esses filósofos justificam a sua tese, dizendo que todos os fenómenos se explicam por cadeias de causalidades, incluindo as nossas acções. Na minha opinião, concordo que o determinismo não é sustentável, devido às razões referidas pelo autor e porque ao agir, tenho sempre a sensação que o faço de livre vontade e não porque algo me influenciou. Acho que temos livre-arbítrio e que aquilo que fazemos causa sempre algum efeito.

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«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein