15 maio 2009

eXistenZ e Descartes

Descartes disse coma a dúvida metódica cartesiana que aquilo que nós conhecemos como realidade pode no fundo ser apenas mais um sonho, visto que o ser humano consegue ter sonhos tão próximos da realidade que por vezes quando acordamos dizemos “Afinal era só um sonho!”. Descartes duvida assim do mundo físico pois afirma que nós, seres humanos, podemos estar num sonho e que tudo aquilo que nós conhecemos, para além da nossa capacidade de pensar, raciocinar, afinal o cogito foi a primeira verdade absoluta a que Descartes chegou, faz parte desse sonho e nada é real. Podemos assim estar errados ao pensar que quando tocamos em algo, vemos algo, cheira-mos algo estamos no chamado “mundo real”, pois os sentidos já nos enganaram algumas vezes.
Em ExistenZ temos uma aplicação perfeita da dúvida metódica cartesiana. Inicialmente, e convém referir que este inicialmente já é dentro do jogo, as personagens estão prontas para entrarem num jogo para além do imaginável em que o jogador navega por diferentes locais sentindo-se como se estivesse na “realidade”, toca em todos os objectos e sente-os da mesma forma que no “mundo real”, vive as mesmas emoções, dialoga, … Após este inicio de jogo, os protagonistas (Allegra Geller e Ted Pikul) entram para um outro jogo através das suas bio-portas.
Um pouco mais à frente Pikul começa a ficar preocupado com o seu “corpo real” e quer voltar para junto dele (entenda-se que este “corpo real” continua a ser dentro do jogo mas fora daquele jogo). Assim o faz e quando volta a primeira acção de Pikul é tocar nos objectos que o rodeiam, tocar no seu corpo, sentir a realidade e aí, ele acaba por se aperceber que já não mais sabe se está de facto no “mundo real” ou ainda no jogo.
Tal como no filme, nós, por vezes temos sonhos que parecem ser tão reais, mas mesmo tão reais nos levam a pensar porque é que a situação em que nos encontramos agora mesmo, neste preciso momento não é também ela mais um mero sonho?

André Ribeiro, 11º 3A
Maio de 2009
Escola Secundária de Paços de Ferreira

(Texto sem nenhuma correcção do professor)

1 comentário:

ams disse...

O texto está muito bem construído e a ligação entre a teoria do filósofo e o filme está muito bem conseguida. Parabéns!!!

filosofiareal

«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein