17 abril 2010

Apontamentos de alunos #6 - Duas questões sobre Kant

Porque é que um imperativo hipotético não pode fundamentar a ética?
R: Um imperativo hipotético é um raciocínio prático que nos diz isto: se queres alcançar um objectivo x ou y deves realizar as acções w ou z. Este raciocínio pode explicar uma acção positiva ou negativa. Ex1: “ Se queres dinheiro então rouba um banco” Ex2: “Se queres sentir-te bem contigo mesmo, então ajuda as pessoas mais carenciadas”. Se repares bem estes dois raciocínios são imperativos hipotéticos: Se queres x, então faz y –, portanto a ética, o comportamento moral, não se pode fundamentar neste raciocínio. Se pudesse, a moral (o comportamento moral) teria o mesmo fundamento do que os comportamentos imorais. Kant não aceita esta situação, por isso considera que a moral tem que se basear num raciocínio diferente.
Esclarece a importância do Imperativo Categórico.
R: Para Kant a moral tem que se basear no Imperativo Categórico. Este Imperativo é uma regra diferente das regras morais que as éticas normalmente estipulam. A ética cristã, por exemplo, estipula o seguinte: “ Se queres atingir a santidade, então pratica a caridade.” Como vimos atrás, este raciocínio (que é um Imperativo Hipotético) não pode basear o comportamento ético. Para Kant devemos usar o I.C. como fundamento do nosso comportamento moral. O I.C. estipula o seguinte: “Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.” Esta regra não nos diz: “faz esta acção se queres alcançar aquele objectivo”, diz-nos algo mais radical: faz x se desejares que x seja realizado por toda a gente.” De acordo com o I.C. a acção é considerada moralmente aceitável se puder ser universalizável. Se acharmos que todos podem praticar a acção x, então esta acção é moralmente aceitável. O I.C. é diferente do I.H. pois não estabelece uma condição (um “se”) para realizarmos uma acção. A acção é moral ou imoral independentemente dos objectivos que podemos ter. A acção moral é incondicional. Podemos ver no I.C. uma versão moderna, mais filosófica, da regra de ouro do Cristianismo: “faz aos outros o que desejas que os outros te façam a ti”. Esta ideia intuitiva de reciprocidade (dar aos outros o que queremos receber) é desenvolvida por Kant através deste conceito: I.C.!

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«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein