02 janeiro 2007

Apontamentos de alunos #2

Livre-arbítrio: «capacidade de tomarmos (pelo menos algumas) decisões de modo realmente independente.»

Problema do livre-arbítrio: Será que somos livres? Será que decisões e acções são livres? Os filósofos Libertistas dizem que sim. Os filósofos Deterministas dizem que não.

Tese libertista: “O ser humano possui capacidade para decidir de modo independente.” “Possuímos livre-arbítrio.” “O determinismo é falso.”

Tese determinista: “O ser humano não possui capacidade para decidir de modo independente.” “Não possuímos livre-arbítrio.” “O libertismo é falso.” “Todas as decisões humanas são determinadas por causas, tal como os outros fenómenos naturais.”

Libertismo: argumento da “experiência liberdade” (sentimos na 1º pessoa que somos livres)

Determinismo: argumento da causalidade universal

A causalidade abrange todos os acontecimentos, incluindo as decisões humanas

Todos os fenómenos naturais obedecem às leis da física, química, etc.

Todos os fenómenos mentais (pensamentos, decisões, etc.) são fenómenos naturais (impulsos electroquímicos entre os neurónios.)

Logo os fenómenos mentais obedecem às leis da física, química, etc.


Se os fenómenos mentais obedecem às leis da científica, então são causados, determinados tal como outros fenómenos naturais (por ex., a chuva)

Se são determinados, então não existem fenómenos mentais independentes.

Logo todas as nossas decisões são determinadas, isto é, não são livres ou independentes.

Se tudo tem uma causa, então as nossas decisões também têm.


Resposta do determinismo ao argumento da “experiência de liberdade”: Temos experiência do movimento do sol, mas somos nós (planeta Terra) que nos movemos; logo não podemos aceitar uma experiência dessas como prova da existência do livre-arbítrio.

Resposta do libertismo ao argumento da causalidade universal: A causalidade universal abrange os fenómenos naturais, mas as nossas decisões escapam a essa causalidade porque são diferentes. Libertistas religiosos defendem que a alma escapa ao determinismo físico; os libertistas ateus defendem que os fenómenos mentais não se regem pelas mesmas condições dos restantes fenómenos físicos.

Responsabilidade e o problema do livre arbítrio:

Se entendermos o conceito responsabilidade como a obrigação moral de escolher uma de várias possibilidades, então o determinismo é incompatível com a responsabilidade. Isto porque se o mundo for determinista eu nunca poderia ter escolhido outra alternativa diferente daquela que efectivamente escolhi. Mas se entendermos o conceito de responsabilidade apenas como o reconhecimento da autoria do determinado acto, então o determinismo é compatível com a responsabilidade. O sujeito não escolhe a acção, mas pratica-a, isto é, é o sujeito físico que executa determinado comportamento.

Elisa Sousa (10º 4B)

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«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein