24 maio 2005

«Ao aprendiz de filósofo (...) peço que não se apresse a adoptar soluções, que não leia obras de uma só escola ou tendência, que procure conhecer as argumentações de todas e que queira tomar como primeiro objectivo a singela façanha de compreender os problemas: de compreendê‑los bem, de os compreender a fundo, habituando‑se a ver as dificuldades reais que se deparam nas coisas que parecem fáceis ao simplismo e à superficialidade do que se chama senso comum (a filosofia é, em não pequena parte, a luta do bom‑senso contra o “senso comum”). (...)
Ao lermos um filósofo devemos evitar dois erros: o primeiro, o de nos mantermos aí eternamente passivos e de tudo aceitarmos como se fossem dogmas, de que depois tentaremos convencer o próximo; o segundo, o de criticarmos demasiado cedo, antes de chegarmos à compreensão do texto. Para evitarmos o segundo erro, a atitude inicial do aprendiz de filósofo deverá ser receptiva e de todo humilde. Se achar uma ideia no texto de um Mestre (filósofo) que lhe pareça de fácil refutação, - conclua que é ele próprio (o aprendiz de filósofo) que a não percebe, e que o pensar do autor deverá ser mais fino, mais elaborado, mais facetado do que ao primeiro relance lhe pareceu: e que, portanto, impõe‑se uma atenção maior.»
António Sérgio

filosofiareal

«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein