filosofiareal

«Quem hoje em dia ensina filosofia não selecciona o alimento para o seu aluno com o objectivo de lhe adular o gosto, mas sim para o modificar.»
Wittgenstein

26 Novembro 2011

Textos sobre o problema do livre-arbítrio

O melhor conjunto de textos sobre o problema do livre arbítrio encontra-se disponível no sítio criticanarede.com. Dos muitos que lá existem selecionei apenas estes para que os possam ler na íntegra e extrair deles as informações complementares ao trabalho da aula que acharem convenientes. Obviamente, sintam-se livres de explorar outros textos. Boas leituras!

Paulo Ruas - O problema do livre arbítrio

Elliot Sober - Roteiro de posições acerca do problema do livre-arbítrio

Elliott Sober - Liberdade, determinismo e causalidade

17 Novembro 2011

Kolak/Martin - Sabedoria sem respostas

A filosofia é uma actividade e não um corpo de conhecimentos. Como todas as actividades requer perícia. Que tipo de perícia? Em poucas palavras: a habilidade para nos vermos a nós próprios e ao mundo de muitas perspectivas diferentes. (…) No nosso dia-a-dia, desenvencilhamo-nos perfeitamente bem ao apoiarmo-nos apenas nas nossas perspectivas. Mas mesmo no dia-a-dia, especialmente em alturas de conflito, a capacidade de abandonar as nossas perspectivas em prol de outras pode ser extremamente útil. Em filosofia, esta habilidade não é apenas útil, é essencial. Sem ela não podemos resolver problemas que são insolúveis no interior das nossas perspectivas habituais.
No fundo, sabemos que as nossas perspectivas não são as únicas válidas. Mas tendemos a expulsar esse conhecimento para a periferia da nossa consciência. Isto deixa-nos com um sentimento ameaçador e inconfortável, quando somos confrontados com pontos de vista diferentes dos nossos. Quando admitimos que os nossos pontos de vista assentam, em última análise, em pressupostos questionáveis e baixamos os nossos escudos contra pontos de vista alheios, sentimo-nos inseguros. (…)
Ter um ponto de vista ajuda-nos a vermo-nos a nós mesmos e ao mundo. Mas, se nos tornarmos demasiado apegados às respostas derivadas e apoiadas pelos nossos próprios pontos de vista, ficamos cegos a outros pontos de vista. Logo, ter um ponto de vista pode esconder tanto como aquilo que revela.
A filosofia mostra-nos como identificar as limitações dos nossos próprios pontos de vista. Mas faz mais: ensina-nos a sair de nós próprios, a atravessar as fronteiras dos nossos familiares quadros de referência de respostas.
Kolak/Martin, Sabedoria sem respostas, tr. Célia Teixeira, Temas e debates, pp. 14-16.

10 Novembro 2011

Viver e filosofar

Ora, viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem se esforçar nunca por os abrir; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa vista descobre não é nada comparado com a satisfação que dá o conhecimento das que se encontram pela filosofia; e, enfim, este estudo é mais necessário para regular os nossos costumes e nos conduzir nesta vida do que o uso dos nossos olhos para guiarem os nossos passos. Os animais, qua não têm senão o seu corpo para conservar, ocupam-se continuamente na procura de alimentos; mas os homens, de quem a principal parte é o espírito, deveriam empregar os seus principais cuidados na procura da sageza, que é o seu verdadeiro alimento.
René Descartes, Princípios de filosofia.

22 Março 2011

O novo problema da indução

A confirmação de uma hipótese por uma instância depende em grande parte de traços característicos da hipótese que não a sua forma sintáctica. Que um dado pedaço de cobre conduza a electricidade aumenta a credibilidade de afirmações de que outros pedaços de cobre conduzem a electricidade, e confirma assim a hipótese de que todo o cobre conduz a electricidade. Mas o facto de que uma determinada pessoa nesta sala é um terceiro filho não aumenta a credibilidade de afirmações de que outras pessoas que estão agora nesta sala sejam terceiros filhos, e não confirma assim a hipótese de que todas as pessoas nesta sala são terceiros filhos. E no entanto, em ambos os casos, a nossa hipótese é uma generalização de uma afirmação de provas.
Nelson Goodman, Facto, ficção e previsão, Editorial Presença, p. 85.
Continuar a ler aqui.