13 Julho 2009

Amartya Sen sobre Justiça

Amartya Sen is a Nobel Prize-winning economist and philosopher, well-known for his work on development. His latest book is a thesis on justice. In it he argues there is no such thing as perfect justice or ideal institutions, only manifest injustices which we should strive, in a universal manner, to eliminate.

05 Julho 2009

Leituras de agosto

A maioria das pessoas aproveita as férias para fazer o que não teve tempo e disponibilidade mental para fazer ao longo do ano. Lembro-me de ver o Bill Gates com malas de livros que lia nas suas férias porque durante o ano andava entretido a ficar pentahexamilionário. Bem, eu andei entretido com outras coisas menos enriquecedores (financeiramente), mas fui obrigado a deixar de lado algumas leituras... coisas dispersas que fui descobrindo nas estantes. Deixo aqui a revelação dos livros que irei tentar ler estas férias: Deus de Dawkins de Alister McGrath; Duas vidas valem mais que uma? de Peter Cave; Problemas da filosofia de James Rachels; Da epistemologia à biologia de Maria Manuel Araújo Jorge; Históra da filosofia moral de John Rawls (apenas algumas partes, que este livro é «pesado» demais para relaxar em agosto); e Que diria Sócrates de Alexandre George (org.). Esperemos que consiga algumas destas leituras... Para os meus alunos recomendo a leitura do livro do Peter Cave. Parece estimulante para jovens pensadores, mas , como ainda não o li na íntegra, posso estar enganado. Boas leituras.

21 Junho 2009

Lição de filosofia política por Obama

1º passo: aviso - desaparece da minha frente; 2º passo: acção - não desamparaste a loja? Pimba, já eras!

20 Junho 2009

redes sociais

o filosofia real está ligado ao twitter e ao facebook

24 Maio 2009

O que é que há de distintivo na ciência humana?

A ciência é um fenómeno biológico. A ciência surgiu do conhecimento pré-científico; é uma continuação bastante notável do conhecimento de senso comum, que por sua vez pode ser considerado uma continuação do conhecimento animal. (…) O que é que há de distintivo na ciência humana? Qual é a diferença-chave entre uma amiba e um grande cientista como Newton e Einstein? A resposta a esta pergunta é que a característica distintiva é a aplicação consciente do método crítico; (…) Só o método crítico explica o crescimento extraordinariamente rápido da forma científica de conhecimento, o extraordinário progresso da ciência. Todo o conhecimento pré.científico, animal ou humano, é dogmático; e a ciência começa com a invenção do método crítico não dogmático. (…)
A amiba evita o falibilismo: a sua expectativa faz parte dela própria e os portadores pré-científicos de uma expectativa ou de uma hipótese são frequentemente destruídos pela refutação da expectativa ou da hipótese. Todavia, Einstein tornou a sua hipótese objectiva. A hipótese é algo fora dele, e o cientista pode destruir a sua hipótese através da crítica, sem perecer com ela. Em ciência fazemos as nossas hipóteses morrer por nós.
Alcancei agora a minha própria hipótese, a teoria que tantos defensores da teoria tradicional da ciência rotularam de paradoxal. A minha principal tese é que aquilo que distingue a abordagem e o método científicos da abordagem pré-científica é o método de tentativa de falibilismo. Cada tentativa de solução, cada teoria, é testada tão rigorosamente quanto nos é possível testá-la. Mas um exame rigoroso é sempre uma tentativa de descobrir as fraquezas existentes naquilo que está a ser examinado. O nosso teste às teorias é também uma tentativa de detectar as suas fraquezas. Testar uma teoria é pois uma tentativa de refutar ou falibilizar a teoria”.
Karl Popper, A vida é aprendizagem, Lisboa, Edições 70, p. 20-26.

21 Maio 2009

John Rawls - Posição original

Da mesma forma que cada pessoa deve decidir, através de uma análise racional, o que é que constitui o seu bem, isto é, o sistema de objectivos que lhe é racional prosseguir, também um conjunto de pessoas deve decidir, de uma vez por todas, o que é para elas considerado justo ou injusto. É a escolha que será feita por sujeitos racionais nesta situação hipotética em que todos beneficiam de igual liberdade - aceitando por agora que o problema colocado por escolha tem solução - que determina os princípios da justiça.
Na teoria da justiça como equidade, a posição da igualdade original corresponde ao estado natural na teoria tradicional do contrato social. Esta posição original não é, evidentemente, concebida como uma situação histórica concreta, muito menos como um estado cultural primitivo. Deve ser vista como uma situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção da justiça . Entre essas características essenciais está o facto de que ninguém conhece a sua posição na sociedade, a sua situação de classe ou estatuto social, bem como a parte que lhe cabe na distribuição dos atributos e talentos naturais, como a sua inteligência, a sua força e mais qualidades semelhantes. Parto inclusivamente do princípio de que as partes desconhecem as suas concepções do bem ou as suas tendências psicológicas particulares. Os princípios da justiça são escolhidos a coberto de um véu de ignorância. Assim se garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha daqueles princípios pelos resultados do acaso natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Uma vez que todos os participantes estão em situação semelhante e que ninguém está em posição de designar princípios que beneficiem a sua situação particular, os princípios da justiça são o resultado de um acordo ou negociação equitativa. (…) Pode dizer-se que a posição original constitui o statu quo inicial adequado, pelo que os acordos fundamentais estabelecidos em tal situação são equitativos. Isto explica a propriedade da designação «justiça como equidade»: ela transmite a ideia de que o acordo sobre os princípios da justiça é alcançado numa situação inicial que é equitativa. Não decorre daqui que os conceitos de justiça e de equidade sejam idênticos, tal como também não decorre da frase «a poesia como metáfora» que os conceitos de poesia e de metáfora o sejam.

15 Maio 2009

eXistenZ e Descartes

Descartes disse coma a dúvida metódica cartesiana que aquilo que nós conhecemos como realidade pode no fundo ser apenas mais um sonho, visto que o ser humano consegue ter sonhos tão próximos da realidade que por vezes quando acordamos dizemos “Afinal era só um sonho!”. Descartes duvida assim do mundo físico pois afirma que nós, seres humanos, podemos estar num sonho e que tudo aquilo que nós conhecemos, para além da nossa capacidade de pensar, raciocinar, afinal o cogito foi a primeira verdade absoluta a que Descartes chegou, faz parte desse sonho e nada é real. Podemos assim estar errados ao pensar que quando tocamos em algo, vemos algo, cheira-mos algo estamos no chamado “mundo real”, pois os sentidos já nos enganaram algumas vezes.
Em ExistenZ temos uma aplicação perfeita da dúvida metódica cartesiana. Inicialmente, e convém referir que este inicialmente já é dentro do jogo, as personagens estão prontas para entrarem num jogo para além do imaginável em que o jogador navega por diferentes locais sentindo-se como se estivesse na “realidade”, toca em todos os objectos e sente-os da mesma forma que no “mundo real”, vive as mesmas emoções, dialoga, … Após este inicio de jogo, os protagonistas (Allegra Geller e Ted Pikul) entram para um outro jogo através das suas bio-portas.
Um pouco mais à frente Pikul começa a ficar preocupado com o seu “corpo real” e quer voltar para junto dele (entenda-se que este “corpo real” continua a ser dentro do jogo mas fora daquele jogo). Assim o faz e quando volta a primeira acção de Pikul é tocar nos objectos que o rodeiam, tocar no seu corpo, sentir a realidade e aí, ele acaba por se aperceber que já não mais sabe se está de facto no “mundo real” ou ainda no jogo.
Tal como no filme, nós, por vezes temos sonhos que parecem ser tão reais, mas mesmo tão reais nos levam a pensar porque é que a situação em que nos encontramos agora mesmo, neste preciso momento não é também ela mais um mero sonho?

André Ribeiro, 11º 3A
Maio de 2009
Escola Secundária de Paços de Ferreira

(Texto sem nenhuma correcção do professor)

12 Maio 2009

John Rawls - A justiça como equidade

A sociedade é, para Rawls (1921-2002), uma associação de pessoas que reconhecem carácter vinculativo a um determinado conjunto de regras e actuam de acordo com elas. Essas normas existem para cimentar um sistema de cooperação entre todos para benefício de todos. Por isso, numa sociedade existe uma certa identidade de interesses, pois todos têm a ganhar com a cooperação: vivem melhor em sociedade do que viveriam isolados. No entanto, também existe conflito de interesses, pois «os sujeitos não são indiferentes à forma como são distribuídos os benefícios acrescidos que resultam da sua colaboração, já que, para prosseguirem os seus objectivos, todos preferem receber uma parte maior dos mesmos.» Para resolver este conflito são necessários princípios ou regras que nos ajudem a escolher qual será a melhor forma de organizar a sociedade, isto é, a melhor forma de repartir esses benefícios. Desta forma, o papel da justiça na sociedade não se resume à reposição das irregularidades e aos castigos aos criminosos. A função da justiça é mais profunda: é a de definir a atribuição de direitos e deveres e a de distribuir os encargos e os benefícios da cooperação social.
A teoria da justiça como equidade baseia-se em dois princípios de justiça fundamentais, mas antes de os enunciar, vamos analisar o argumento contratualista que Rawls encontrou para lhes dar legitimidade (racional e ética).
Imaginemos que podemos escolher a estrutura sócio-política que organiza a nossa sociedade («estrutura básica»). Rawls convida-nos a pensar no seguinte: «Se fosse possível escolher as regras que determinam a organização da sociedade, quais seriam as regras que eu escolheria?» A esta situação inicial imaginária Rawls chamou «Posição Original».
Imaginemos também que, para escolhermos com imparcialidade, na P.O. não sabemos quem somos, nem que profissão temos, a que classe social pertencemos, etc. Sabemos apenas os factos gerais da sociedade humana, assuntos políticos, económicos. Factos particulares sobre cada um, não são conhecidos, isto é, temos que imaginar que estamos cobertos por um «Véu de ignorância» que nos impede de saber se somos ricos ou pobres, professores ou alunos, atletas ou advogados, etc.
Imaginemos ainda que nessa situação hipotética inicial todos somos iguais, temos as mesmas possibilidades de expressão e argumentação. Todos possuímos os mesmos direitos no processo de escolha das regras de organização da sociedade.
Pode-se perguntar qual a utilidade desta suposição abstracta e impossível de realizar na vida real, e a resposta é simples: trata-se de um argumento racional e lógico do qual devem derivar os princípios de justiça. Uma situação como a posição original garante a imparcialidade e equidade de escolha. Portanto, princípios de justiça escolhidos nessa situação serão imparciais e equitativos.
Segundo Rawls, qualquer pessoa que se imagine na posição original escolheria os dois princípios de justiça que ele enunciou:
Cada pessoa terá direito igual ao mais vasto sistema total de liberdades básicas iguais que seja compatível com um sistema semelhante de liberdade para todos;
As desigualdades sociais e económicas serão dispostas de forma a serem simultaneamente: a) para o maior benefício dos menos favorecidos (…) e b) ligadas a postos e posições acessíveis a todos, em condições de igualdade e oportunidade justas.
Enquanto o primeiro princípio é a garantia das liberdades individuais, tais como a liberdade de expressão, associação, culto, etc., o segundo princípio atinge as desigualdades sociais procurando diminui-las, sem no entanto sacrificar a igualdade de oportunidades.
Mas porquê escolher estes princípios e não outros? Rawls defende que a escolha destes princípios seria feita utilizando o critério de maximin.
A utilização do critério maximin consiste em imaginar quais seriam os piores resultados possíveis das diversas concepções de justiça concorrentes, e ordená-las numa escala. A concepção de justiça que tiver os piores resultados menos maus é a que deve ser escolhida. Dito de outra forma, a concepção que deve ser adoptada é aquela cujo pior resultado possível seja ainda assim melhor do que o pior resultado de qualquer outra concepção concorrente.
Segundo este critério os princípios de justiça que trazem os melhores piores resultados (isto é, os menos maus) para a vida em sociedade são aqueles avançados por Rawls. Outras opções (a utilitarista, por exemplo) teriam resultados piores para as pessoas, e por isso não deveriam ser escolhidas.

11 Maio 2009

O problema da legitimidade da autoridade do Estado - John Locke


O grande e principal fim dos homens se unirem em sociedade, e de se constituírem debaixo de um governo, é a conservação da sua propriedade; para cujo fim se exigem muitas coisas que faltam no estado natural.
Locke, Ensaio sobre a verdadeira origem, extensão e fim do governo civil, Ed. 70, 1999, p. 105.

17 Fevereiro 2009

Usar ténis para questionar a Teoria CVJ

Para quem achou Smith & Jones bastante complicado, vejam este exemplo no blog Logosfera. Para quem não gosta de ténis, imagine outro desporto!

12 Fevereiro 2009

O filósofo e a linguagem

Por todo o lado, no texto platónico, vemos passagens ou incidentes que sugerem a ideia de que, no fundo, é menos o filósofo quem se serve da linguagem do que o logos, que se revela por seu intermédio, que impõe a sua lógica e o seu desenvolvimento próprios. O logos, com efeito, é simultaneamente o discurso e o seu aspecto lógico, o raciocínio. (…) A submissão ao logos é a manifestação directa da recusa em se servir da linguagem, de fazer dela um simples instrumento ao serviço dos interesses de quem fala, sem ter em consideração a verdade. (…)
A submissão ao logos assenta no simples pressuposto de que existe um ser objectivo da linguagem decalcado do ser objectivo das coisas. (…)
Falar é um acto profundamente moral: é o acto em que o homem pode – e deve –aproximar-se o mais possível do verdadeiro.
Christophe Rogue, Compreender Platão, Porto Editora, pp. 42, 43.

A filosofia nasce de um escândalo

A filosofia nasce de um escândalo: o logos está separado da realidade. Dizer uma coisa não é necessariamente dizer o que é. Consequentemente, o logos já não é moral, já não é o dom dos deuses que avalia infalivelmente os homens, as suas acções e aquilo que os rodeia. Deixando de ser isso, é neutro: é aquilo que se faz dele, tendendo para a moralidade naquele que se esforça por encontrar as coisas através dele e para a imoralidade naquele que se serve dele como de um refúgio para se dissimular. De dom divino, tornou-se um simples instrumento, um utensílio de poder, especialmente para os sofistas que, por meio do encantamento dos seus discursos, obtêm os favores da multidão.
No fundamento da démarche do Sócrates dos primeiros diálogos há, pois, esta constatação da neutralidade inaceitável do logos: a linguagem já não é necessariamente consubstancial à realidade que serve para exprimir. Pode ser verdadeira ou falsa. O seu desligamento do ser implica a possibilidade de nos servirmos dela como de um simples utensílio, o que implica, para os homens, a possibilidade do erro, da aparência, da mentira e da dissimulação. A filosofia acontece através do escândalo da neutralidade da linguagem, dando-se como ideal uma linguagem nela mesma normativa, que realiza de novo a união perdida da ética e do discurso.
Christophe Rogue, Compreender Platão, Porto Editora, pp. 21, 22.

Das sociedades humanas às sociedades artificiais

Ciclo de conferências «Das sociedades humanas às sociedades artificiais». Mais informação aqui.

08 Janeiro 2009

O livre-arbítrio existe?

Conferir este texto de Daniel C. Dennett sobre o livre-arbítrio, bem como este excerto de uma entrevista. A posição deste autor é bem interessante pois coloca o livre-arbítrio como um produto da evolução humana.

Conceitos filosóficos

Nas Bibliotecas das escolas existem uns livros especiais, quase mágicos, que revelam o significado daquelas palavras complicadas que se ouvem nas aulas de filosofia; esses livros chamam-se DICIONÁRIOS DE FILOSOFIA!!! Querem uma amostra? Na Biblioteca da ESPF encontrei o Dicionário de filosofia de Simon Blackburn e lá dentro como que por milagre encontrei... conceitos filosóficos devidamente explicados!!! Não será uma boa ajuda ter uma coisa destas à mão quando se estuda filosofia longe do professor? Deixo-vos aqui três exemplos, úteis aos alunos do 10ºano:
Intencionalidade: qualidade de estar dirigido para algo, ou de ser acerca de algo, qualidade esta que é possuída por muitos, se não todos os estados conscientes. (…) As nossas crenças, pensamentos, anseios, sonhos e desejos são acerca de coisas. Do mesmo modo, as palavras que usamos para exprimir essas crenças e outros estados mentais são acerca de coisas. O problema da intencionalidade é compreender em que consiste a relação que se verifica entre um estado mental, ou a sua expressão, e as coisas acerca das quais esse estado mental se constitui como tal.
Causalidade: relação entre dois acontecimentos que se regista quando, dada a ocorrência do primeiro, essa ocorrência determina, origina ou produz a ocorrência do segundo; do mesmo modo, podemos dizer que, logo que o primeiro ocorre, o segundo deve também ocorrer, ou que o segundo se segue do primeiro.
Causalidade do Agente: um tipo presumivelmente especial de causalidade segundo o qual os agentes despoletam, ao agir, sequências de acontecimentos, sem que esse despoletar seja, por sua vez, causalmente determinado.

02 Janeiro 2009

Páginas de filosofia

As páginas de filosofia mudaram de endereço. Continuam aqui!
Bom Ano!!!

05 Dezembro 2008

Platão e um Ornitorrinco entram num bar...

A construção e reacção às piadas e a construção e a reacção aos conceitos filosóficos são feitas do mesmo material. Estimulam a mente de formas semelhantes. Isto acontece porque a filosofia e as piadas têm origem no mesmo impulso: confundir a nossa percepção das coisas, virar os nossos mundos de pernas para o ar e deslindar as verdades escondidas, e muitas vezes desagradáveis, sobre a vida. Aquilo que um filósofo considera uma revelação, o cómico considera uma paródia.

Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um ornitorrinco entram num bar..., D. Quixote, 2008.

28 Novembro 2008

Primeiros comentários ...

Comentário filosófico ao «texto» (tecnicamente é apenas uma frase, mas...) de António Sérgio:

«Ora se o fundamental da filosofia é de facto a crítica, e se a filosofia deve ser estudada não pelo mérito das respostas já dadas aos problemas, mas sim pelo valor que em si mesma assume a mera discussão desses problemas, segue-se que é ideia inteiramente absurda a de se dar a alguém uma iniciação filosófica pela pura transmissão das respostas com que algum autor pretendeu resolver esses problemas.»
António Sérgio

Por Raquel Silva (10º 3A)
Este texto de António Sérgio fala-nos do início do estudo da Filosofia, da iniciação filosófica de alguém. O problema filosófico deste texto é "Deve-se dar a alguém uma iniciação filosófica pela pura transmissão das respostas com que algum autor pretendeu resolver esses problemas?"
António Sérgio diz-nos que o fundamental da Filosofia é de facto a crítica. Acrescenta também que a Filosofia não deve ser estudada pelo mérito das respostas já dadas aos problemas mas pelo valor que tem em si mesma a mera discussão desses problemas. Assim sendo, António Sérgio conclui que não se deve dar a alguém uma iniciação filosófica pela pura transmissão das respostas com que algum autor pretendeu resolver esses problemas, considerando até absurda tal ideia.

Por Luís Costa (10º 3A)
O texto de António Sérgio tem como tema a Filosofia e apresenta-nos o seguinte problema: será que a iniciação filosófica pela pura transmissão das respostas com que algum autor pretendeu resolver esses problemas é admissível? O autor responde que a essa pergunta afirmando que não, a iniciação filosófica pela pura transmissão das respostas com que algum autor pretendeu resolver esses problemas é absurda. Para justificar a sua resposta, o autor diz que o fundamental da filosofia é de facto a crítica e que a filosofia deve ser estudada não pelo mérito das respostas já dadas aos problemas, mas sim pelo valor que em si mesma assume a mera discussão desses problemas.

Por Xavier Gonçalves (10º 3A)
O texto fala-nos sobre a iniciação filosófica. Mas o autor tem dúvidas em relação à ideia de dar uma iniciação filosófica a alguém. Será que é boa ideia dar uma iniciação filosófica a alguém, pela pura transmissão das respostas com que algum outro autor pretendeu resolver os problemas filosóficos? Para o autor António Sérgio é completamente absurda a dar uma iniciação filosófica a alguém pela pura transmissão das respostas que outros autores utilizaram para responder a essa questão ou problema.
O autor é da opinião que o fundamental da Filosofia é a crítica, logo, se houver transmissão de ideias não há hipótese de discussão e argumentação e não existe prática da actividade filosófica. Quando isto acontece, o autor pensa que a Filosofia deixa de ter valor, porque a Filosofia é uma actividade argumentativa e crítica, na qual as pessoas devem de obter respostas através da discussão e do debate e não pela absorção de ideias.

(Trabalhos realizados em contexto de avaliação escrita. Foi apenas exigida a fase de análise. Não alterei nem corrigi nada ao texto dos alunos)

18 Novembro 2008

Filosofia na Unesco

Encontra-se por aqui muita informação e publicações sobre filosofia e o ensino da filosofia, nomeadamente «Philosophy: a school of freedom» e «Philosophy: a cosmic responsability». Recomenda-se!

02 Novembro 2008

Viver e filosofar

Ora, viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem se esforçar nunca por os abrir; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa vista descobre não é nada comparado com a satisfação que dá o conhecimento das que se encontram pela filosofia; e, enfim, este estudo é mais necessário para regular os nossos costumes e nos conduzir nesta vida do que o uso dos nossos olhos para guiarem os nossos passos. Os animais, qua não têm senão o seu corpo para conservar, ocupam-se continuamente na procura de alimentos; mas os homens, de quem a principal parte é o espírito, deveriam empregar os seus principais cuidados na procura da sageza, que é o seu verdadeiro alimento.
René Descartes, Princípios de filosofia.